Jornal Abril/Maio/2004

ARTIGOS:

PEIXOTINHO

Francisco Peixoto, Lins natural de Pacatuba, Ceará, nascido em 01 de fevereiro de 1905, Oficial do Exército Brasileiro, médium, apelido “Peixotinho”. A obra biográfica “Dossiê Peixotinho”, traz-nos a trajetória desse confrade nas lides espíritas, e que foi talvez um dos melhores médiuns de efeitos físicos que se tem notícia no Brasil e quiçá, no mundo. Desde muito cedo, as manifestações espíritas estiveram presentes em sua vida, sofreu as conseqüências disso na própria carne, pois muitas vezes entrava em estado letárgico ao ponto de não ter sido em sua vida, enterrado vivo, por interferência de seu Pai, outras vezes em estados catalépticos e obsessões que, de tão cruéis, levaram-no à paralisia durante vários meses, alguns desses casos que a medicina não consegue resolver nem explicar. Peixotinho foi então encaminhado para um grande espírita, Vianna de Carvalho, sendo que a partir daí a melhora foi acentuando-se dia a dia. Não tardou para que os membros do grupo que tratavam de Peixotinho percebessem sua enorme sensibilidade mediúnica, começando dessa forma sua jornada como médium na seara espírita.Fugindo das dificuldades financeiras de seu Estado natal, muda-se para o Rio de Janeiro e por influência de seu primo-irmão engaja-se no exército, onde chegaria ao oficialato. Em Macaé, ocorre o primeiro fenômeno de materialização, sua filha Aracy desencarnada com apenas um ano e seis meses, foi o espírito pioneiro a manifestar-se desta forma, não demorou muito para que fundasse o Grupo Espírita Aracy. Os trabalhos de materialização, cura, desobsessão, escrita direta, xenoglossia, voz direta, tem registros notáveis na obra que já mencionamos. Espíritos como Sheila, materializavam-se e não apenas falavam com os presentes, dando-lhes informações precisas e particulares sobre suas vidas, orientações, passes; e também apareciam letras materializadas que brilhavam. A comprovação de que a doação ectoplásmica do médium em alguns casos, é tão intensa que encontramos registros de várias testemunhas que durante os transes (Peixotinho permanecia em sala contígua, selada e algemado), o médium chegou a ficar quase que translúcido, em outras ocasiões seu tamanho ficou reduzido ao de uma criança.

Mas para nós, o mais importante na tarefa de Peixotinho não é o fenômeno em si, mas a dedicação que o médium teve ao seu semelhante, apesar das dificuldades da época e do assédio de entidades

6/6/1966 – Desencarna Francisco Peixoto, o Peixotinho

DR.REYNALDO RETORNA Á PÁTRIA ESPIRITUAL

O nosso grande amigo, Dr. Reynaldo Leite, retornou à pátria espiritual no dia 11 de maio.

Um dos fundadores desta Casa de Paz e Amor, vivia ultimamente em tempo integral dedicando-se à Doutrina Espírita, estando à frente, dentre outros trabalhos, o de divulgação da Doutrina Espírita com os Programas de Rádio e TV, palestras por todo o Brasil e alem fronteiras

Responsável por várias obras psicografadas, além de fitas de video, ficará conosco através de seu exemplo de resignação, diante da doença pertinaz que o acometeu, há aproximadamente dois anos, e do exemplo que passou de trabalho, dedicação aos ensinos kardequianos e principalmente pelo respeito àqueles que o buscavam, consolando a todos.

EURÍPEDES BARSANULFO

Nascido em Sacramento, MG em 01.05.1880, Fundou em 1902 o Liceu Sacramentano. Foram as notícias de curas realizadas dentro do Espiritismo que chamaram sua atenção para o fenômeno, decidiu investigar o fato em um centro localizado em cidade vizinha. Observou, analisou sobre os fenômenos e, de volta, estudou as obras de Kardec Em 1905 converteu-se ao Espiritismo, fundando o Grupo Espírita Esperança e Caridade.Em 1907 abriu o Colégio Allan Kardec. Foi possuidor de mediunidade poderosa e diversificada: curador, auditivo, psicógrafo, vidente e desdobramento perispiritual. O Espírito Bezerra de Menezes era quem o auxiliava nas curas, sendo que a pequena Sacramento desenvolveu-se para atender aos doentes que lá acorriam. O apóstolo do Triângulo mineiro desencarnou em 1.11.1918 devido a uma pandemia de gripe, que assolou a cidade. Junto com Bezerra de Menezes, Eurípedes divide as responsabilidades espirituais do Paz e Amor.

A mais antiga das encarnações de Eurípedes, que se tem notícia teria ocorrido na Palestina à época do nascimento de Jesus. Assim sendo, Eurípedes deve ter conhecido Jesus na sua adolescência. Marcos, um personagem do romance A Grande Esperança, psicografado por Corina Novelino, pregador ardoroso de novas e elevadas idéias, sendo por isso condenado à morte na fogueira. Chico Xavier informou que no segundo século d era cristã, quando foi pupilo de Inácio de Antioquia e dedicado divulgador da Boa Nova teria sido sacrificado e morto na Palestina. Ao tempo de Constantino, viveu como Rufo, um escravo cristão, personagem do romance Ave Cristo, de Emmanuel, ditado a Chico Xavier, e que foi morto por venerar Jesus.

(*) Para saber mais, leia Eurípedes Barsanulfo o Apóstolo da Caridade, editora Correio Fraterno

EDITORIAL

Chico Xavier nos últimos anos de sua existência terrena repetiu em todas suas entrevistas que seu maior desejo era o de ver afixada na frente de cada moradia terrena uma placa com os dizeres: “Amai ao próximo como a si mesmo.”

Dr. Bezerra de Menezes, tendo ao seu lado Eurípedes Barsanulfo conduziu, no plano espiritual, duas assembléias: uma para perto de 5000 espíritos desencarnados e outra para aproximadamente 10 000 espíritos encarnados em desdobramento do sono por ocasião da passagem do milênio, que ora vivenciamos. Nestas ocasiões todos foram alertados para a nova fase da Doutrina espírita. Os primeiros setenta anos, conforme explicou, representaram a legitimação da fenomenologia como ciência e filosofia espírita. O segundo período, vivenciado até há bem pouco, foi destinado à difusão doutrinária e à expansibilidade da caridade, enaltecendo seu aspecto religioso. Neste terceiro período, que se estima durar algo em torno de outros setenta anos, pretende-se atingir a maioridade dos ideais espíritas, através da interiorização, em cada um de nós, dos preceitos apresentados e praticados.

Diz ainda o venerável Bezerra: “Esse novo tempo deve criar entre nós o período de ATITUDE. O velho discurso sem prática deverá ser substituído por efetiva RENOVAÇÃO. É a etapa da fraternidade, na qual a ética do AMOR será a meta essencial e o ESTUDO e a EDUCAÇÃO serão os passos seguros nesta direção.”

Nos deparamos então com a necessidade de se ter o Centro Espírita como “Escola do Espírito”, visando resgatar o foco central do Espiritismo que é o amor entre os homens.

O momento exige autocrítica e vigilância, a propriedade da frase-desejo de Chico Xavier é digna de meditação constante de nossa parte. Evangelho significa Boa Nova, Boa Notícia e, por mais avançadas as conquistas da Humanidade, por mais que passe o tempo, este mesmo Evangelho continua sendo a grande novidade desprezada e desconhecida da grande maioria. O Evangelho de Jesus, que nos encaminhará para a paz e a equidade social.

Busquemos, portanto, a prática de ATITUDES que nos aproximem da definição do “Homem de Bem” constante do capítulo XVII do Livro-Luz, rogando a Jesus que nos ampare e seja nossa base segura nestes tempos de renovação para a Humanidade.

Fernando de Oliveira

MENSAGEM DE ALBINO TEIXEIRA

O coração mais belo que pulsou entre os homens respirava na multidão e seguia só. Possuía legiões de espíritos angélicos e aproveitou o concurso de amigos frágeis, que o abandonaram na hora extrema. Ajudava a todos e chorou sem ninguém.

Mas, ao carregar a cruz, no monte áspero, ensinou-nos que as asas da imortalidade podem ser extraídas do fardo de aflições, e que no território moral do bem, alma alguma caminha solitária, porque vive tranqüila na presença de Deus.

Albino Teixeira

(psicografia de Francisco C. Xavier)

O CORPO COMO RASCUNHO

Cap.XVII – Sede Perfeitos
Cuidar do corpo e do espírito
Georges – Espírito Protetor, Paris, 1863

“Amai, pois, a vossa alma, mas cuidai também do corpo, instrumento da alma; desconhecer as necessidades que lhe são peculiares por força da própria natureza é desconhecer as leis de Deus. Não o castigueis pelas faltas que o vosso livre arbítrio o fez cometer, e pelas quais ele é tão responsável como o cavalo mal-dirigido o é, pelos acidentes que causa. Sereis por acaso mais perfeitos, se martirizando o corpo, não vos tornardes menos egoístas, menos orgulhosos e mais caridosos? Não, a perfeição não está nisso, mas inteiramente nas reformas que o submeterdes o vosso Espírito. Dobrai-o, subjugai-o, humilhai-o, mortificai-o: esse é o meio de o tornar mais dócil à vontade de Deus, e o único que conduz à perfeição.”

Um dos temas principais da busca do conhecimento pelo homem ao longo de sua história milenar é a origem e o porque da vida manifesta num corpo de carne, única realidade tangível aos seus olhos. Os filósofos da antiga Grécia indagavam, entre outras questões, no século VI A. C.: o que é o corpo humano? o que é uma consciência? qual a essência do que existe?, inaugurando a metafísica. Um dos pontos de investigação da Filosofia através dos tempos tem sido a essência da mente do homem e as diferenças e relações entre a alma e o corpo, entre espírito e matéria.

Toda a religião cristã e a ciência fundaram suas bases no conceito de separação entre corpo e alma, construindo crenças e dogmas, técnicas e formas de curar, sempre fundamentadas nesse dualismo, sedimentado mais tarde por Descartes. Para muitas áreas conhecimento humano a alma tem permanecido apartada do corpo, apesar de unida a ele, possuidora de essência diversa, sem mútua interferência. Os problemas da alma são pertinentes a Deus, os do corpo à Ciência. Cada qual permanece exclusivamente no seu território.

Até o Renascimento o corpo era considerado sagrado e intocável pelo poder da Igreja. Não era permitido que ele servisse sequer de instrumento de observação e estudo. Com o surgimento da ciência moderna que rompeu com a tradição religiosa, começou-se a pesquisar a fisiologia humana, estudar patologias e desenvolver técnicas de tratamento e cirurgia ao lado de outros focos de investigação. Depois de um árduo caminho, contamos hoje com recursos vastíssimos para manter a qualidade de vida humana e que podem solucionar problemas e curar moléstias que antes levavam à morte.

Fomos educados pelas antigas posturas religiosas a desconsiderar o nosso corpo, renegá-lo, tratá-lo como recipiente de impurezas, fonte do pecado. Essas práticas ficaram impregnadas na cultura humana. Conhecemos os antigos flagelos auto-impingidos, desde os tempos das Cruzadas, até os dias atuais, na expectativa de que o martírio do corpo propiciasse uma purificação da alma e assim, conduzisse mais um eleito ao reino dos céus para a salvação eterna.

A LIÇÃO ESPÍRITA

Agora, devidamente esclarecidos pelos ensinamentos dos espíritos, conduzimos nossas atitudes em conformidade com o conhecimento de que somos “espírito”, momentaneamente habitando um corpo fisiológico, para que prossigamos a nossa busca de aprendizado e evolução. Sabemos da existência do perispírito, elo indispensável para essa conexão, verdadeiro mensageiro e portador de todos os códigos que configuram nossa morada carnal. Carregamos esse corpo como um fardo, muitas vezes detendo nossos passos e outras vezes nos mostrando aquilo que não queremos ver. Ele nos mostra quem somos e nos possibilita os recursos necessários ao nosso aprendizado. Poderemos ter um corpo esteticamente maravilhoso ou sofrer aberrações físicas gritantes. Outras vezes as dificuldades poderão permanecer ocultas e trabalharem silenciosamente na intimidade dos órgãos ou aparecer como manifestações patológicas da mente. Não há perfeição já que não somos perfeitos. Ainda assim, a máquina humana trabalha rigorosamente dentro de um equilíbrio de forças. Ela é o que somos.

Como seria o panorama humano sem os recursos da medicina e outras tecnologias? As próteses, as cirurgias reparadoras, os recursos da estética poupam nossos olhos. Imaginemos o mundo sem estes recursos. Certamente descortinaríamos quadros bizarros tendo a nós mesmos como protagonistas. Figuras estranhas seríamos...

O CORPO HOJE

Na ocasião de nosso renascimento recebemos um nome, uma certidão de nascimento e nos tornamos alguém no mundo dos vivos. O ambiente que nos abriga, desde nosso lar até a sociedade que nos recebe, nos cobra em contrapartida que aprendamos e obedeçamos às suas regras e ética peculiares. Nela iremos crescer em corpo, mente e espírito reconstruindo a nossa identidade. Passamos a ser identificados e classificados imediatamente pela nossa imagem visual. Nosso corpo é certamente rotulado desta ou de outra forma por quem nos cerca.

Nos dias atuais, marcados pelo predomínio do materialismo, nossa imagem e desempenho medem nossa possibilidade de sucesso. É natural que a preocupação com o corpo seja prioridade. Nossa máquina física necessariamente tem que dar conta de tudo que se exige dela: horas intermináveis de trabalho e nenhuma de lazer, uma forma de vida que nos mantém em contínuo estado de stress, problemas resultantes da má alimentação, poucas horas de sono e muitos outros problemas que de tantos se tornam inumeráveis. O corpo humano é insuficiente para suprir as necessidades do homem de hoje. O corpo que trazemos passa a ser um rascunho daquilo que muitas vezes desejamos: sua forma é deficiente, assim como seu desempenho. Então passamos a construir corpos, sem nos importarmos com a sua fragilidade. Usamos medicamentos para emagrecer, anabolizantes, remédios para dormir, outros para não dormir, energéticos, próteses químicas e muitos outros recursos, numa tentativa de mudar o ritmo e a estética do corpo, nos rendendo às requisições do mundo. Fabricamos uma geração que passa a maior parte do seu dia malhando para conseguir a forma perfeita. O importante é aparecer. O que conta é a imagem. Até mesmo os filhos passam a ser programados genéticamente. Como nos fala David le Breton(*), é a realização do mito do filho perfeito. Programa-se o sexo, as características principais, a data do nascimento. Uma criança com selo de boa qualidade morfogenética e aparência física.

Nossas emoções e nosso humor também devem ser programados. Sentir não é mais permitido. Qualquer tristeza se tornou depressão com direito a toneladas de medicamentos porque a ordem é estar sempre feliz. E o caminho da depressão, da baixa auto-estima é dos prováveis para quem não conseguir atingir suas metas de reestruturação, pois além de tudo estará conflitando os próprios projetos reencarnatórios com a necessidade de se enquadrar nos padrões estéticos e comportamentais da moda.

Observamos, então, que nunca se cuidou tanto do corpo. E esses cuidados refletem exatamente o estágio da nossa Humanidade, em que ainda não se percebeu que a realidade espiritual de cada um é aquela que molda o ser encarnado. Reconstrói-se o corpo de fora para dentro, como se a mudança de imagem pudesse modificar o que vai pela “alma” de cada um. As pessoas distanciam-se cada vez mais da sua realidade interior.

Cuidamos mal do corpo e ainda não aprendemos a cuidar do espírito. Continuamos mais e mais a castigá-los pela nossa impossibilidade de compreensão e nossa ignorância.

Dizem que os olhos são o espelho da alma, mas nosso corpo será sempre necessariamente o espelho do nosso espírito.

Só teremos um corpo saudável e esteticamente correto no momento em que nosso espírito receber o cuidado necessário, através do nosso trabalho e crescimento dentro da ética e respeito a nós mesmos e aos nossos semelhantes. E isso só se dará no momento em que deixarmos de lado as requisições absurdas e intermináveis do mundo atual e nos voltarmos à nossa realidade mais profunda, aos nossos propósitos firmados antes de nosso retorno à experiência carnal, trabalhando para reconstruirmos nosso caminho e nos vinculando conscientemente aos propósitos mais dignificantes da vida.

Lilian Approbato de Oliveira

(*) David le Breton é sociólogo e professor da Universidade de Estrasburgo, autor de “Antropologia do Corpo e Modernidade” e “Adeus ao Corpo”

O MÉDIUM – TRABALHADOR DA CASA ESPÍRITA

Uma das principais características de uma casa Espírita é o fato de nela haver o contato com o mundo espiritual, com os espíritos e sua vida “do lado de lá”. Ora, essa característica somente é viabilizada pela existência de pessoas que possibilitem esse intercâmbio, os chamados médiuns.

Apesar de todos nós sermos portadores desse dom, mesmo sem o sentir, em algumas formas ele é um tanto mais exteriorizado, mais evidenciado. Assim é que a casas espíritas conduzem seus trabalhos contando com um significativo número de médiuns. É para nós, em geral, e para os médiuns em particular, que anotamos algumas observações e transcrevemos comentários de lições inspiradas principalmente em dois livros: “Diretrizes de Segurança” de Divaldo P. Franco e “O Espírito de Chico Xavier” de Carlos A. Baccelli:

- Primeiramente devemos sempre lembrar que mediunidade é, antes de tudo, uma oportunidade de servir, vivenciando as lições evangélicas com humildade, amor e fé, sem, porém, subserviência e humilhação, totalmente desnecessárias.

- Importante destaca o fato de que o melhor médium não é o que é portador de múltiplas faculdades, mas sim o que está sempre disposto a aprender e a servir ao próximo, seguindo o dito de Allan Kardec: “Espíritas: Amai-vos e instruí-vos!”. Reforçando este conceito, estejamos sabedores de que não existem médiuns “mais fortes” e sim médiuns mais dedicados que outros.

- A vigilância, principalmente contra a vaidade, deve ser uma constante preocupação dos médiuns. Chico Xavier salientava possuir verdadeiro “pavor” dos aplausos e elogios. Dizia ele: “- Prefiro mil vezes os apupos e as críticas que me fazem refletir sobre minhas imperfeições e me previnem do veneno fatal da “soberba”. Para nos auxiliar, basta que tenhamos consciência de que tudo o que se apresente de positivo por nosso intermédio, deve-se à assistência, paciência e misericórdia dos benfeitores espirituais não havendo motivo para que nos vangloriemos de resultados que absolutamente não nos pertencem. Quantas vezes os trabalhadores chamados de “doutrinadores” recebem, nas sessões de auxílio e fraternidade (desobsessão) grandiosas lições dos chamados “espíritos sofredores”, que ali deveriam estar mais é recebendo...

- Também de acordo com Chico Xavier, “o espírita carece é de trabalhar mais e falar menos. Pegar na vassoura, no escovão, limpar o centro... trocar curativos, levantar os caídos... A enxada relegada ao abandono vai sendo carcomida pela ferrugem.”

Assim, amigos, devemos nos preparar para o trabalho na casa espírita. Fortalecermo-nos na prece e na prática do bem e assim reforçarmos nossas defesas vibratórias pois, bem sabemos, que os que não desejam a luz atirarão pedras às lâmpadas, por menor que elas sejam. Aliás, Divaldinho Mattos, irmão que dignifica a Doutrina Espírita na cidade de Votuporanga –SP, nos conta que Emmanuel apresentou para Chico Xavier a existência de duas pomadas feitas para curar nossas chagas morais: uma é composta pela dor e lágrimas e a outra pelo trabalho e suor. Cada um escolhe a pomada que vai utilizar.

Por fim, a recomendação: estejamos prontos para sermos cristãos e médiuns atuantes durante vinte e quatro horas por dia, todos os dias. Cuidemos para não ocuparmos mais um leito no Hospital Esperança, fundado no plano espiritual por Eurípedes Barsanulfo e dirigido por dr. Inácio Ferreira. Essa é uma história para uma próxima edição...

FALANDO AOS PAIS

Nós, que trabalhamos nesta Casa, junto à Evangelização Infantil e Atendimento Fraterno (desobsessão), temos acompanhado a chegada de muitos pais preocupados e, na maioria das vezes, despreparados para lidar com situações vividas pelos seus filhos, posto que na atualidade temos nos deparado com problemas “novos” para a família. Dizemos novos, pois antes tais relatos eram encontrados em livros, revistas, algo distante de nossa realidade. Hoje, bem próximo de nós, observamos e ouvimos testemunhos de acontecimentos, que requerem de nós mais atenção e cuidados.

Fomos buscar na mensagem “Alienação Infanto-Juvenil e Educação” do livro Antologia Espiritual, psicografia de Divaldo P. Franco, ditado pelo espírito de Benedita Fernandes, muitas orientações e esclarecimentos, que preferimos transcrever na íntegra, dada a clareza, objetividade e segurança com que abordados os porquês de tudo isso.

Analisemos juntos. Os grifos são nossos, quando ela nos fala:

“O surto das alienações mentais infanto-juvenis, num crescendo assustador, deve reunir-nos todos em torno do problema urgente, a fim de que sejam tomadas providências saneadoras dessa cruel pandemia”.

Vemos a orientadora espiritual mostrar lugares, condições sociais, destacando sentimentos que nos faltam, como geradores dessas situações, que muitas vezes conhecemos e abismados observamos que não há lugar de exceção, vejamos:

“Nas sórdidas favelas, onde os fatores criminógenos se desenvolvem com facilidade e morbidez; nos agrupamentos escolares, nos quais enxameiam os problemas de relacionamento sem ética, sem estruturação moral; nas famílias em desagregação por distonias emocionais dos pais, egoístas e arbitrários; nas ruas e praças desportivas, em razão da indiferença dos adultos e dos exemplos perniciosos por eles praticados; as drogas, o sexo, a violência, induzem crianças e jovens ao martírio da alienação mental e do suicídio.

Desamados, quanto indesejados, passam pelas avenidas do mundo esses seres desamparados, objeto de promoção de homens ambiciosos e sem escrúpulos, que deles fazem bandeira de autopromoção e sensibilização das massas, esquecendo-os logo depois de atingidas as metas que perseguem.

Pululam, também, essas vítimas das atuais desvairadas culturas e tecnologias, nos lares ricos e confortáveis de onde o amor se evadiu, substituído pela indiferença e permissividade com que compensam o dever, enganando a floração infantil que emurchece com as terríveis decepções antes do tempo”.

A seguir, alerta-nos quanto aos fatores espirituais, dos quais somos nós, espíritas, conhecedores, ofertando-nos condições de reverter esses quadros, pois como Jesus nos alertou: “Muito será pedido a quem muito foi dado”.

“Ao lado de todos esses fatores psicossociais, econômicos e morais, destacam-se os espirituais, que decorrem dos vínculos reencarnacionistas que irmanam esses espíritos em recomeço àqueloutros que lhes sofreram danos, prejuízos e acerba aflições pretéritas, de que não se liberaram.

As disciplinas que estudam a psique, seguramente, penetram na anterioridade do ser ao berço, identificando na reencarnação, os mecanismos desencadeadores das alienações, seja através dos processos orgânicos e psíquicos ou mediante os conúbios obsessivos.

A obsessão irrompe em toda parte, na condição de chaga aberta no organismo social, convidando as mentes humanas à reflexão.

Desatentos e irrequietos os homens avançam sem rumo, distanciados ainda de responsabilidades e valores morais.

Urge que a educação assuma o seu papel no organismo social da Terra sofrida destes dias. Educação, porém, no seu sentido profundo, integral, de conhecimento, experiência, hábitos e fé racional.

Estruturando o homem nos seus equipamentos de espírito, perispírito e corpo, nele fixando os valores éticos de cuja utilização se enriqueça, conscientizando-se da sua realidade externa e vivendo de forma consentânea com as finalidades da existência terrena, que o levará de retorno à Pátria de origem em clima de paz”.

Ainda, a orientadora espiritual vem alertar a Casa Espírita quanto aos seus deveres de esclarecer de forma segura e clara os aspectos espirituais e o lar como reduto de acolhimento e amor, que somados dão o exato tempero da solução.

“Não se pode lograr êxito, na área da saúde mental como na da felicidade humana, utilizando-se um comportamento que estuda os efeitos sem remontar às causas, erradicando-as em definitivo. Para tanto, é fundamental que o lar se transforme num santuário e a escola dê prosseguimento à estrutura familiar, preparando o educando para a vida social”.

Mostra-nos a irmã espiritual, quem são esses espíritos, quando afirma:

“Herdeiros de guerras cruéis, remotas e recentes, de crimes contra a Humanidade e o indivíduo, os reencarnantes atuais estão atados a penosas dívidas, que o amor e o Evangelho devem resgatar, alterando o comportamento da família e da sociedade, assim poupando o futuro de danos inimagináveis.

Tarefa superior, a da educação consciente e responsável!

Nesse sentido, o conhecimento do Espiritismo, que leva o homem a uma vivência coerente com a dignidade, é a terapia preventiva e curadora para os males que ora afligem a quase todos, e em especial, estiolando a vida infanto-juvenil que surge, risonha, sendo jogada nas tribulações e misérias para as quais ainda não se encontra preparada, nem tem condições de compreender, assumindo, antes do tempo, comportamentos adultos, alucinados e infelizes”.

Benedita Fernandes aponta a quem socorrer, imediatamente:

“Voltemo-nos para a infância e a juventude e leguemo-lhes segurança moral e amor, mediante os exemplos de equilíbrio e de paz, indispensáveis à felicidade deles e de todos nós, herdeiros que somos das próprias ações”.

Diante destas informações que nós, evangelizadores da casa espírita e pais - não só da família consangüínea, façamos a nossa parte. Lembrando sempre que podemos juntos com a casa espírita fornecer condições de, com Jesus e o Pai, modificar, primeiramente a nós, nossa família e o mundo, e no dizer de Meimei, a amiga espiritual: “Não reclamemos o salário antes do trabalho!”.

Fernando de Oliveira

O PERDÃO E A SAÚDE

Quando não optamos pelo Perdão diante de fatos e pessoas que nos causaram algum dano, perda, prejuízo ou agressão, obviamente escolhemos ficar com a raiva, mágoa, melindre ou ressentimento.

No momento seguinte à ocorrência do conflito, talvez o algoz que nos prejudicou já tenha esquecido a palavra infeliz ou a ofensa a nós dirigida. Quanto a nós, sentimos no momento a raiva ou o ódio e podemos escolher prolongar no tempo estas emoções destrutivas, na forma de mágoa, guardando na profundeza de nossa alma a dor, a angústia, o sofrimento por dias, meses e anos.

Sempre que optamos por não perdoas, criamos uma história sobre a mágoa e ficamos repetindo esta história a todos que cruzam o nosso caminho, chegando às lágrimas, pois nos sentimos vítimas. Quando não encontramos alguém disposto a ouvir a nossa lamentação, ficamos repetindo a historia sobre a mágoa em nosso pensamento, o tempo todo. Esta atitude ocupa muito espaço em nossa mente. É um tipo de tormento voluntário. É uma auto-obsessão. Com a mente obstruída de pensamentos sobre a mágoa, não conseguimos raciocinar com clareza; não encontramos soluções criativas para os problemas mais simples, perdemos a capacidade de concentração, nos tornamos nervosos e irritados com pequenas coisas.

Quando escolhemos não perdoar, culpamos o outro pela nossa infelicidade, o que corresponde a responsabilizar o outro pela nossa condição de vítima em eterno sofrimento. Estamos assim dando poder ao outro, o poder de tirar a nossa Paz, a nossa Serenidade, o nosso Bem Estar.

Sabemos que a nossa mente governa a saúde de todos os órgãos e sistemas. Quando temos bons pensamentos e emoções positivas, geramos ondas vibratórias que atingem todas as células, administrando as reações bioquímicas, o estado de defesa, a divisão celular, a cooperação entre todas as partes, a nutrição, as funções neurológicas, o vigor, a energia e a disposição do organismo como um todo.

Mas, se escolhermos não perdoar, aumentaremos a porcentagem de: Distúrbios da Função Digestiva, Gastrite, Colite, Náuseas, Vertigens, Tonturas, Dores de Cabeça, Enxaqueca, Hipertensão Arterial, Angina, Infarto, Taquicardia, Fadiga, Doenças Auto-Imunes, Tumores, Doenças Reumáticas, Dores Musculares, Queda da Resistência às Infecções, Alergias, Bronquite, Asma, Rinite Alérgica, Depressão e Insônia.

O maior benefício do perdão é para quem perdoa. O nosso irmão que nos causou algum dano não está preocupado com o nosso estado emocional, pois já esqueceu há muito tempo o fato que gerou o nosso julgamento e a condenação. Perdoar significa tirar um peso da alma, voltar a ter o controle sobre a própria felicidade, assumir a responsabilidade pelo nosso estado emocional, ter de volta a paz, a serenidade e a saúde. Bom seria se nós não julgássemos e não condenássemos, como ensinou Jesus. Melhor ainda se não nos ofendêssemos por tudo aquilo que contraria n nosso ponto de vista. Teríamos mais saúde e aproveitaríamos bem mais a nossa encarnação.

Joel Beraldo

200 anos de Kardec

KARDEC E OS ESPÍRITOS DA CODIFICAÇÃO: PRIVILÉGIOS

Mal habituados, desavisadamente, a atribuir a missionários poderes miraculosos e proteção extraordinária, poderíamos julgar que Allan Kardec elaborava as obras da codificação de um só fôlego e sem esforços. Que bastaria tomasse a pena e escrevesse! Que, não lhe faltando inspirações superiores, seu trabalho seria mecânico. Engano nosso! Ele escrevia, analisava e reescrevia.

Fundia e refundia exaustivamente os originais antes e depois de vir a público, melhorando-os, tornando-os mais claros e precisos. Era a contribuição humana em atividade.

Em seu retiro de Santa Adresse, ele esboçara um estudo profundamente religioso sobre a terceira parte do "O Livro dos Espíritos", imaginando dar ao trabalho em elaboração o título de "Imitação do Evangelho". Fizera um esquema inicial.

No curso de seu recolhimento, porém, aspirava por notícias de seus companheiros e mensagens de seus orientadores a fim de continuar sentindo o pulsar da Doutrina que se agigantava. Solicitara aos companheiros de Paris que recebessem mediunicamente uma comunicação sobre um assunto qualquer e lhe enviassem ao retiro onde trabalhava. Chegou-lhe, enfim. E, num trecho, a mensagem assegurava:

"Não entreis em detalhes ociosos a respeito do plano de tua obra, plano que, segundo meus conselhos ocultos, modificaste tão ampla e completamente".

Era o entrelaçamento da inspiração espiritual elevada, que não dispensa o esforço da criatura humana em identificar-se com os princípios divinos do Universo, a fim de fazer-se luz para os que caminham pelas trevas.

A Terra oferece vasto campo para o serviço mediúnico.

Em qualquer lugar e hora, pela assimilação de ondas mentais superiores, podemos ajudar alguém.

A mediunidade, por luz divina, é o traço de união entre Deus e o homem.

Que não esqueçamos, no entanto, a advertência de Emmanuel, tendo cuidado naquilo que fazemos dela.(parte da mensagem “Êxito Mediúnico, do livro Mediunidade e Evolução – Martins Peralva)

SONO/SONHOS

“Recordar é viver,

Eu ontem sonhei com você...”

Assim nos diz o refrão de uma conhecida musica popular.

O sonho é um acontecimento que excita a nossa imaginação e nos envolve em dúvidas quanto ao seu significado e a sua realidade. Muitas são as explicações dadas para ele, algumas, que ao invés de nos esclarecerem acabam mistificando este processo natural.

Mas antes de falarmos sobre o sonho, devemos entender o que é o sono, através do qual ele se manifesta.

O sono é uma função natural do organismo físico, possibilitando ao corpo a recuperação das energias gastas durante o estado de vigília. É portanto um fenômeno físico, através do qual ocorre o afrouxamento dos laços que prendem o espírito ao corpo, a alma é então liberada parcialmente, proporcionando desse modo o sonho. Devemos ter em mente, que o espírito não necessita desse descanso, podendo permanecer em vigília e atividade constante.

O sono assemelha-se a uma morte aparente e incompleta; é em vista disso que encontramos no Livro dos Espíritos a afirmação: “quando o homem dorme, momentaneamente se encontra no estado em que estará de maneira permanente após a morte.

No momento do desprendimento do corpo ou da emancipação da alma, o laço fluídico que o prende a vida carnal, se alonga, formando o que se conhece por cordão prateado, cuja função é manter a alma ligada ao corpo, independente da distancia que ela possa ir neste ou no plano espiritual. O cordão prateado é formado por uma modificação do próprio perispírito (propriedade de expansibilidade). Através desse cordão a alma fica em constante ligação com o corpo e é instantaneamente atraída de volta, sempre que sua presença se fizer necessária, como no caso de perigo eminente.

Interessante é a experiência pela qual a maioria de nós já passou, de acordarmos sobressaltados, como se levássemos um choque, pulando da cama com a impressão de que alguém está em nossa perseguição. Isso acontece quando, em nosso passeio pelo plano espiritual vamos a lugares impróprios e encontramos algum desafeto que não queremos enfrentar. Para nos escondermos retornamos ao corpo físico o mais rápido possível, mergulhando literalmente nele, causando essa sensação pelo encaixe desarmonizado do perispírito no corpo.

André Luiz, em um de seus livros, informa-nos que os irmãos espirituais reconhecem os encarnados, quando em desdobramento no plano espiritual, pelo apêndice que possuem atrás de suas cabeças (ligação do cordão prateado).

O sono, como prelúdio do sonho, é uma porta que Deus nos abre, permitindo um contato mais próximo com os amigos desencarnados e com os encarnados em desdobramento. Esse contato é efetuado sempre de acordo com a nossa elevação moral, pois o homem tem o seu livre arbítrio que permite que ele vá aonde seu coração deseje.

A essa altura, nos questionamos sobre o que vem a ser os sonhos, já que desdobrados estamos por assim dizer, vagando pelo plano espiritual. Para melhor entendermos, devemos recordar a colocação de Leon Denis que nos explica que durante essa emancipação nós utilizamos os sentidos da alma, sentidos psíquicos, uma vez que o corpo está adormecido e os sentidos físicos estão inativos. Quanto mais nos afastamos do corpo, mais difícil é o registro pelo cérebro físico, dos acontecimentos dos quais participamos. Por esse motivo, na maioria das vezes não conseguimos nos lembrar dos sonhos, que é a nossa vivência no mundo espiritual. Quando o espírito retorna ao corpo, o cérebro não consegue reter todas as impressões vivenciadas, mas apenas as últimas armazenadas no corpo mental. Temos então uma lembrança fragmentária. O nosso sonho parece uma colcha de retalhos. Lembramos que estávamos em determinado local com alguém conhecido e no minuto seguinte estávamos fazendo algo totalmente diferente sem nenhuma ligação com a situação anterior.

Temos também tipos diferentes de sonhos, de acordo com o nosso estado mental. Ele pode ser o sonho do subconsciente, o sonho real ou o sonho premonitório.

O sonho do subconsciente é fruto do nosso estado mental desequilibrado, quando estamos esgotados ou quando estamos preocupados com os afazeres do dia a dia (situação de stress). Esse sonho é formado pelos reflexos que a nossa mente conserva dos fatos rotineiros de nossas atividades, dos nossos relacionamentos desgastantes. Fazemos durante o sono os mesmos trabalhos que nos habituamos durante o período de vigília, ou então damos vazão aqueles desejos mais íntimos, vindo a tona muitas vezes até mesmo os mais inconfessáveis. Nesse tipo de sonho, boa parte das vezes permanecemos ao lado do nosso corpo físico. Esses são os sonhos confusos e medíocres, que representam mais os reflexos da nossa vida diária reagindo sobre nosso cérebro do que propriamente os fatos da verdadeira emancipação. Acontecem durante o primeiro sono, onde nossa organização cerebral ainda não se encontra completamente tranqüilizada pelo repouso.

O sonho real acontece geralmente pela madrugada, quando estamos mais completamente emancipados. Partimos então em busca das nossas antigas afeições, que estão momentaneamente esquecidas pelo bloqueio da reencarnação. Visitamos amigos da atualidade e fazemos novas amizades neste e até em outros países. Trabalhamos para o nosso desenvolvimento e para o bem do próximo, encarnado ou desencarnado, sob a direção dos espíritos tutelares, como nos são relatados em muitas obras mediúnicas (André Luiz, Emmanuel, Bezerra de Menezes, Manuel Philomeno de Miranda e outros) sobre reuniões que se realizam na Espiritualidade, durante a nossa emancipação, e que muitos de nós, encarnados, somos convidados a participar, com o intuito de esclarecimento, orientação e reconforto. São oportunidades , em que o aproveitamento dependerá da escolha de cada um. Os nossos mentores estarão a espera para guiar-nos, mas respeitarão a decisão de mudarmos de idéia no meio do caminho e seguirmos o rumo que nos apraz.

Assim, pela lei de afinidade, podemos aceitar o convite ao nosso progresso ou então, permanecermos estacionados, dando vazão aos nossos instintos inferiores, procurando os correspondentes compares nas regiões difíceis afim de realizarmos cometimentos de tristes conseqüências para nossa evolução.

Há também uma outra categoria de sonho: o premonitório. São aqueles em que os mentores ou algum espírito amigo, nos falam de fatos que irão realizar-se, mas sempre utilizando-se de linguagem simbólica ou encenada.

Encontramos relatos desses sonhos no Evangelho, como aquele em que um anjo aparece a José e lhe diz para que se levantasse, apanhasse o menino (Jesus) e sua mãe e fugisse para o Egito ou na Bíblia, quando José do Egito interpreta o sonho do Faraó, sobre as sete vacas gordas que atravessam o rio Nilo, saindo do outro lado, magras.

Agora que sabemos que nossos sonhos são as lembranças de nossas caminhadas pelo mundo espiritual, podemos melhor compreender como é importante a nossa preparação para o sono diário. Mas como devemos nos preparar? Seguindo algumas dicas simples, porém de máxima importância: fazer de nosso ambiente de repouso um recanto sagrado; evitarmos o uso da televisão nesse ambiente; realizarmos uma leitura construtiva, como a de um pequeno trecho do evangelho; alimentação saudável e leve; e principalmente a prece, através da qual pedimos o auxílio dos mentores durante o nosso desdobramento, conduzindo-nos a locais onde possamos desenvolver nossos conhecimentos junto a companheiros de boa fé.

Não nos esqueçamos dos sonhos que temos em vigília, o que também não deixa de ser salutar, pois segundo Chico Xavier, “A vida começa no sonho e se concretiza no amor."

Rogério de Oliveira.

FRASE Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro, desperta .

Carl Young

CURSO DE ORIENTAÇÃO ÀS GESTANTES

O Curso de Orientação à Gestante foi o primeiro curso realizado no Paz e Amor. Há 35 anos, no dia 12 de fevereiro de 1969, D. Guiomar Ferraci, dirigente do curso até hoje, iniciou este trabalho de assistência às gestantes, juntamente com um grupo de voluntárias.

Neste curso as gestantes recebem orientações sobre a gestação, apoio médico e espiritual. São mulheres que chegam até nós sem o básico para a sua própria sobrevivência, sem estrutura psicológica, física e financeira para levar uma gravidez responsável, explica D. Guiomar.

Participam do curso, em média, 40 gestantes por grupo e eles acontecem a cada dois meses. Em entrevista ao Jornal Nosso Núcleo, D. Guiomar nos explica a dinâmica deste curso.

JORNAL NOSSO NÚCLEOQuando acontece este curso?

D.GUIOMAR – Todas as quintas-feiras, das 14h00 às 16h00, no Paz e Amor.

JORNAL NOSSO NÚCLEOQuem pode participar e como se inscrever?

D.GUIOMAR – Mulheres gestantes que nos procuram para assistência e que estejam no início da gravidez. Para fazer parte do curso é necessário que a gestante preencha uma ficha de inscrição no dia da matrícula. Na ficha, a gestante dará informações como, número de filhos que possui, exames pré-natais que efetuou, sua condição sangüínea para que seja avaliada a real situação da gestação.

JORNAL NOSSO NÚCLEOQual o objetivo deste curso?

D.GUIOMAR – Oferecer a essas futuras mamães uma conscientização da responsabilidade de ser mãe e as grandes transformações físicas, psicológicas e espirituais que ocorrem numa gestação.

JORNAL NOSSO NÚCLEO – Como funciona o curso?

D. GUIOMAR – Conduzimos as aulas falando sobre os diversos temas orientativos. A equipe dá apoio nas vibrações para os lares, nos passes, leitura do Evangelho, empacotamento dos enxovais e no atendimento junto à dentista, psicóloga e ginecologista, que auxiliam as gestantes no aviamento de receitas e no tratamento médico gratuito.

JORNAL NOSSO NÚCLEO – Quais assuntos são abordados nas aulas?

D. GUIOMAR – Através de palestras e vídeos educativos, procuramos ensinar conceitos sobre saúde como, alimentação, dicas de higiene, fisiologia do corpo (fecundação, órgãos genitais, doenças sexualmente transmissíveis), conseqüências do uso do álcool e drogas na gestação, aspectos psicológicos importantes para uma gestação saudável, informações sobre parto e amamentação.

JORNAL NOSSO NÚCLEO – Além das orientações e apoio na gestação, o que mais a gestante recebe no curso?

D. GUIOMAR – Para cada gestante que conclui o curso, damos também um enxoval completo para o futuro bebê. O enxoval é composto de mantas de lã, casaquinhos, pagãozinhos, fraldas, macacões, cobertores, gorrinhos, toalhas de banho, calça plástica, mamadeira, chupeta, sabonete e uma prenda para cada gestante que obteve 100% de freqüência no curso e um exemplar do Evangelho. Além disso, todos os meses elas recebem uma cesta de alimentos e um lanche assim que chegam para a aula.

JORNAL NOSSO NÚCLEO – Quantos enxovaizinhos são entregues por curso e quando acontece a entrega?

D. GUIOMAR – No final de cada curso é feita uma festa de entrega, onde são entregues de 40 a 50 enxovais, em média. Em dez/2003, foram entregues 72 enxovais. Por ano, são doados aproximadamente 300 enxovais.

JORNAL NOSSO NÚCLEO – De onde são captados os recursos para a formação do enxovalzinho e das cestas de alimentos?

D. GUIOMAR – A equipe de voluntárias do Curso de gestantes é que mantém os recursos para a confecção dos enxovais. Recebemos também doações dos freqüentadores da casa e auxílio do Grupo Arco-Íris(*). A nossa assistência social é que nos fornece os mantimentos para a cesta de alimentos e os Evangelhos que elas ganham com o enxoval.

Márcia Rodrigues Motta

(*) Voluntárias do Paz e Amor, que se reúnem para confeccionar mantas, casaquinhos, etc.

AINDA FALANDO DO EVANGELHO

(2004 - 140 anos de Evangelho)

ROTEIRO PARA OBTER A FELICIDADE

Estivemos na Bienal do Livro e ficamos impressionados com a quantidade de livros de auto-ajuda e pensávamos: .- O ser humano, mais do que nunca busca a solução de seus problemas...Existe a procura, oferece-se o produto.

Embora nobre a intenção de muitos escritores, não se pode dizer que todos têm como objetivo oferecer ajuda a quem dela necessita. O que temos observado é a descoberta de um filão de ouro por parte desses autores visando lucro fácil à custa das carências das criaturas.

Impressionante é que já existe um roteiro infalível para a felicidade à disposição de quem queira segui-lo, e ele aí está à nossa disposição há mais de dois mil anos...

Trata-se de lições que abrangem todas as circunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípio básico de todas as relações sociais que se fundam na mais rigorosa justiça.

Trata-se da Boa Nova, das boas notícias trazidas pelo Mestre mais sábio que a Terra conheceu, que não as escreveu, mas as exemplificou e seus seguidores registraram-nas.

Bem-aventurados os que têm puro o coração; bem-aventurados os que são brandos e pacíficos; bem-aventurados os que são misericordiosos; amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que quereríeis vos fizessem. Amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quiserdes ser perdoados; praticai o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos, antes de julgardes os outros”

Mas, se o Evangelho está disponível há mais de dois milênios, por que a felicidade ainda não é uma realidade na Terra?

Acredito, e aqui não vai nenhuma crítica, que o que ocorra é que toda a gente admira a moral cristã, todos lhes proclamam a sublimidade e a necessidade; mas nem todos querem praticá-la, aguardam que algo “mágico” aconteça e que de repente estejamos “salvos” das maldades do mundo, das dificuldades esquecendo-nos, que tais situações são “conquistas” nossas. Interessante notar, que muitos, abrem o Evangelho, dia após dia, como um ritual, (aqui também a intenção não é de criticar, mas de analisar velhas condutas) para ler uma página, uma frase e o fecham como que se bastasse, como um dever cumprido, e intimamente nos sentimos quites perante Deus, Jesus e os amigos espirituais... Esquecendo-nos do que o Mestre nos alertou: Não serão aqueles que dizem Senhor! Senhor!... E a prática? É bem verdade que estamos nos caminho, mas...

Todos aqueles que têm olhos de ver percebem que toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, isto é, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho, gênese de tantos males...

Não há mágica nem milagres, fica difícil mudarmos o mundo, enquanto não vivenciarmos os ensinos do Mestre Jesus, esse roteiro infalível, para quem deseja, sinceramente, investir na sua felicidade.

Jesus ainda diz: quem quiser vir após mim, tome a sua cruz, negue-se a si mesmo e siga-me, mas afirmou também: - “Meu jugo é suave, meu fardo é leve...”.

Tânia F G Carvalho

FRASE:O poder do Evangelho vivo e puro é semelhante ao do sol, que amadurece os frutos sem que possam voltar à condição de verdes... José Herculano Pires(livro Mediunidade, cap IX)

A MOCIDADE ESPÍRITA E SEUS MENTORES

Em edições anteriores do Nosso Núcleo pudemos falar sobre a mocidade, seu funcionamento, o público freqüentador, as atividades do grupo, entre outros. Nesse momento nossa atenção também vai se voltar a esse trabalho, mas levando em conta todo o amparo espiritual que os jovens freqüentadores recebem sem que muitas vezes tenham noção de sua dimensão. Quem entra na sala da mocidade percebe a simplicidade do ambiente, com discussões sobre temas atuais, estudos do Evangelho e participação ativa dos jovens. Por trás disso se encontra uma equipe espiritual que age incansavelmente a fim de ajudar nos estudos, auxiliar em questionamentos e conflitos íntimos típicos da fase juvenil. Também é notável a presença de espíritos sedentos de conhecimento e contato amigo que compartilham as reuniões com o grupo, aprendendo com os debates, palestras e comentários.

Como indica a questão 87 do Livro dos Espíritos, os espíritos estão em todos os lugares, ao lado de todas as pessoas. A questão 150 também ensina que depois da morte física os espíritos conservam sua individualidade. Dessa maneira, é compreensível que a mocidade possua uma equipe de espíritos mentores e que grande parte deles conservam as características joviais de quando desencarnaram, sendo atraídos para a mocidade devido à familiaridade e afinidade com a faixa etária e suas características próprias.

Com o auxílio da médium Dna Emília Bérgamo Rofrano pudemos colher algumas informações sobre esses espíritos benevolentes que tanto nos acompanham. A médium relata que uma das mentoras do trabalho é Eneida, espírito jovem que se apresenta muito iluminada, com um manto azul esvoaçante e com as mãos espalmadas. Dna Emília também cita os Juventinos, grupo comandado pelo espírito Beto, um dos principais mentores da MEPAJ. Ele desencarnou ainda jovem em Igarapava, interior de São Paulo, vítima de um afogamento que chocou sua cidade. No Plano Espiritual passou a freqüentar o “Paz e Amor”, aprendendo cada vez mais sobre a Doutrina e o Evangelho e aos poucos foi se tornando um dos líderes da mocidade. Segundo vidências, os Juventinos possuem uma casa na Espiritualidade onde realizam estudos e tratamentos aos jovens necessitados. Estão freqüentemente nos trabalhos da Casa, acompanhando os que necessitam, manifestando-se através da mediunidade e orientando os freqüentadores do grupo quanto às melhores decisões a serem tomadas para o aprimoramento do trabalho e também em questões pessoais.

Além desses espíritos, os Motoqueiros do Além também se apresentam nas nossas reuniões. São espíritos que na maioria das vezes desencarnaram em acidentes de moto e que conservam sua aparência no Plano Espiritual, o que auxilia significativamente no resgate de jovens recém-desencarnados em sofrimento e confusos com a passagem para o outro Plano. Devido à identificação com a faixa etária e aparência, esses espíritos necessitados podem se tornar mais receptivos ao auxílio e se integrarem ao grupo para receber um tratamento adequado e aprender sobre as Leis de Deus. Muitos deles passam por todas essas etapas e se transformam em espíritos estudios

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