Jornal Fevereiro/Marco/2004

Artigos

O MESTRE E O APÓSTOLO

Luminosa, a coerência entre o Cristo e o Apóstolo que lhe restaurou a palavra.

Kardec, o Professor.

Jesus refere-se a Deus, junto da fé sem obras.

Kardec fala de Deus, rente às obras sem fé.

Jesus é combatido, desde a primeira hora do Evangelho, pelos que se acomodam na sombra.

Kardec é impugnado desde o primeiro dia do Espiritismo, pelos que fogem da luz.

Jesus caminha sem convenções.

Kardec age sem preconceitos.

Jesus exige coragem de atitudes.

Kardec reclama independência mental.

Jesus convida ao amor.

Kardec impele à caridade.

Jesus consola a multidão.

Kardec esclarece o povo.

Jesus acorda o sentimento.

Kardec desperta a razão

Jesus constrói.

Kardec consolida.

Jesus revela.

Kardec descortina.

Jesus propõe.

Kardec expõe.

Jesus lança as bases do Cristianismo, entre fenômenos mediúnicos.

Kardec recebe os princípios da Doutrina Espírita, através da mediunidade.

Jesus afirma que é preciso nascer de novo.

Kardec explica a reencarnação.

Jesus reporta-se a outras moradas.

Kardec menciona outros mundos.

Jesus espera que a verdade emancipe os homens; ensina que a justiça atribui a cada um pelas próprias obras e anuncia que o Criador será adorado, na Terra, em espírito.

Kardec esculpi na consciência as leis do Universo.

Em suma, diante do acesso aos mais altos valores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente conjugados pela Sabedoria Divina.

Jesus, a porta.

Kardec, a chave.

Emmanuel

(psicografia Francisco C.Xavier, do livro Opinião Espírita, 9a. ed. Editora CEC)

MENSAGEM DE BEZERRA DE MENEZES

“O conhecimento da Doutrina Espírita é portador de libertação, porque traz, no seu bojo a verdade revelada a Allan Kardec, que prossegue abrindo espaço nas mentes e alargando os horizontes para a vida.

Fomos convidados, sim, para espalhar a luz que não pode ficar impedida pelas nossas limitações e pequenezes. Que dentro de nós vibre o pensamento do Cristo, e atue através da nossa conduta a beleza da mensagem espírita que, em breve, modificará o pensamento na Terra e expulsará, por definitivo, a guerra, o medo, a insatisfação, gerados pelo egoísmo, que cederá o passo ao altruísmo, que Jesus nos ofereceu na lição sacrossanta da caridade.” Bezerra de Menezes

(mensagem psicofônica recebida por Divaldo P.Franco nem 17.10.90 na sede da FEB,Brasília/DF)

POSSÍVEL E IMPOSSÍVEL

Acalma-te e serve.

Não fizeste o sol que te ilumina?

Não fabricaste o ar que respiras?

Não criaste o solo em que te apóias?

Não teceste a vestimenta das flores que te rodeiam?

Não pares de trabalhar.

A vida te pede o bem que se te faça possível.

O impossível virá de Deus.

Emmanuel

(Recados do Além – psicografia de

Francisco C. Xavier)

SOMOS RESPONSÁVEIS PELAS NOSSAS DOENÇAS

Todos nós somos diretamente responsáveis pela saúde que temos, no decorrer das várias encarnações. Somos também o reflexo de nossas escolhas e atitudes.

Quando desconsideramos os princípios básicos da manutenção do equilíbrio e da saúde, geramos as doenças, a dor e o sofrimento. Assim, respeitar o sono, praticar exercícios ou esportes, ter uma alimentação saudável, não utilizar drogas (incluindo o cigarro e as bebidas alcoólicas), estabelecer objetivos e lutar por conquistá-los, manter um padrão de comportamento dentro dos princípios da ética e da moral cristã, garantem uma existência com maior qualidade de vida e o êxito da nossa missão.

Naturalmente, todos desejamos ser felizes, mas como sermos felizes portando doenças, dores, disfunções, limitações? Sabemos que algumas doenças foram originadas por nosso próprio comportamento inadequado em outras vidas, mas a maioria delas ocorre por erros nesta encarnação, quando deixamos de lado os princípios básicos citados anteriormente.

Em suma, a preguiça para praticar esportes ou fazer exercícios, a gula que nos leva a ingerir alimentos mais saborosos que saudáveis, a satisfação do prazer imediato e traiçoeiro das drogas, o desrespeito ao repouso do organismo para o necessário refazimento de suas funções, a atitude egoísta e ingrata em relação aos semelhantes e ao próprio Criador, o orgulho, a vaidade, a inveja, o ciúme e a cobiça nos causam desequilíbrios orgânicos e psicossomáticos, levando a doenças graves no corpo ou no psiquismo, afastando assim a saúde, a felicidade e retardando a nossa evolução.

Joel Beraldo (médico clínico geral- homeopata, expositor espírita e evangelizador desta Casa)

APRENDAMOS COM KARDEC

(...) O sofrimento do Espírito resulta dos laços que o prendem à matéria; quanto mais livre estiver da influência desta, ou por outra, quanto mais desmaterializado se achar, menos dolorosas sensações experimentará. Ora, está nas suas mãos libertar-se de tal influência desde a Vida atual. Ele tem o livre-arbítrio, tem, por conseguinte, a faculdade de escolha entre o fazer e o não fazer. Dome suas paixões animais; não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho; não se deixe dominar pelo egoísmo; purifique-se, nutrindo bons sentimentos; pratique o bem; não ligue às coisas deste mundo importância que não merecem; e, então, embora revestido do invólucro corporal, já estará depurado, já estará liberto do jugo da matéria e, quando deixar este invólucro, não mais lhe sofrerá a influência, nenhuma recordação dolorosa lhe advirá dos sofrimentos físicos que haja padecido; nenhuma impressão desagradável eles lhe deixarão, porque apenas terão atingido o corpo e não a alma.

Sentir-se-a feliz por se haver libertado deles e a paz da sua consciência o isentará de qualquer sofrimento moral.

Kardec, (O Livro dos Espíritos, 70a. ed. FEB, q. 257)

OBRIGADO PAZ E AMOR

Obrigado pela sua ajuda.

Obrigado pela compreensão.

Obrigado pela caridade.

Obrigado por me dar as mãos

“Paz e Amor”, obrigado por tudo.

Do fundo do meu coração,

Pois sempre que eu precisei

Vocês me deram suas mãos.

Não esquecerei jamais

Tudo o que fizeram por mim.

Não esquecerei jamais

As coisas boas que fizeram, enfim.

Levantarei minha cabeça.

Em frente eu vou andar.

Pois com a sua ajuda,

Eu contei e sempre vou contar.

Ana Paula Ap. da Silva Santos

“2004”

200 ANOS DO CODIFICADOR (*)

Natural de Lyon, França, onde nasceu em 03 de outubro de 1804, o codificador recebeu o nome de Hippolyte Leon Denizard Rivail, filho único de Jeanne Louise Duhamel e Jean Baptiste Antoine Rivail, juiz de direito. Somente, em maio de 1855, com o convite do Sr. Pâiter, esteve na casa da Sra Plainemaison, onde numa noite de terça feira presenciou pela primeira vez o fenômeno das mesas girantes e alguns ensaios imperfeitos de escrita mediúnica em uma ardósia. Posteriormente, conheceu a família Baudin onde as médiuns Srtas Julie e Caroline Baudin se escrevia com o auxílio da cesta, sendo aí, pela sua freqüência assídua iniciou os primeiros estudos sérios a respeito do viria mais tarde, com a ajuda destas duas médiuns incluindo Japhet, que lhe permitiriam elaborar a primeira edição de O Livro dos Espíritos, cuja primeira publicação foi em 18 de abril de 1857.

SEU GUIA ESPIRITUAL

H.Leon R.Denizard morava à rua dos Mártires, 8, 2º andar, quando certa noite trabalhando em seu gabinete começou a ouvir repetidas batidas no tabique que o separava do cômodo vizinho, no inicio não deu importância, mas pela persistência foi averiguar e não encontrou nad, mas cada vez que ia examinar o barulho este parava, recomeçando logo em seguida, assim que recomeçava o trabalho. Por volta das dez da noite sua esposa chega, e pergunta-lhe o que era aquele barulho, ao que ele afirma que há uma hora o estava ouvindo. Ambos procuram a causa, mas o mesmo perdurou até meia-noite, quando foram deitar-se.

No dia seguinte em casa do Sr Baudin pergunta aos espíritos a causa daquelas batidas, sendo a resposta simples:

- Era o teu Espírito familiar e queria comunicar-se contigo

- O que ele queria, ao que o espírito responde:

- Pergunta tu mesmo, porque ele está aqui

Kardec então lhpergunta quem és.

A resposta é para ti eu me chamarei A VERDADE e TODOS OS MESES AQUI ESTAREI À TUA DISPOSIÇÃO POR UM QUARTO DE HORA e o que queria dizer-te é que desagrada-me o que escrevias e eu queria que parasses., e mais adiante... quanto ao capítulo de ontem quero que tu mesmo julgues. Relê essa noite o que escreveste. Verás teus Erros e os corrigirás. (pg 224/5, Obras Póstumas 1ª. Edição Lake, 1975)

Era 25 de março de 1856, local, residência do Sr. Baudin, médium Srta Baudin.

A MISSÃO DE KARDEC

Precisamente no dia 12 de junho de 1856, por intermédio da srta Aline, o Espírito da Verdade lhe anunciou sua missão de codificador do Espiritismo, recomenda-lhe discrição e o adverti: “Não esqueças que podes triunfar, como podes falir”. Neste último caso, outro te substituiria, porquanto os desígnios de Deus não assentam na cabeça de um homem”. Informa que assistência espiritual não lhe faltará, mas que a missão dos reformadores é cheia de escolhos e perigos. “Previno-te de que é rude a tua missão, porquanto se trata de abalar e transformar o mundo inteiro. Não suponhas que te baste publicar um livro, dois livros, dez livros, para em seguida ficares tranqüilamente em casa. Tens que expor tua pessoa. Suscitará contra ti ódios terríveis: inimigos encarniçados se conjurarão para tua perda; ver-te-ás a braços com a malevolência, com a calúnia, com a traição mesma dos que te parecerão os mais dedicados; as tuas melhores instruções serão desprezadas e falseadas; por mais de uma vez sucumbirás sob o peso da fadiga; numa palavra: terás de sustentar uma luta quase contínua, com sacrifício do teu repouso, da tua tranqüilidade, da tua saúde e até de tua vida, pois, sem isso viverias muito mais tempo.” Não poucos recuam quando, em vez de uma estrada florida, só vêem sob os passos urzes, pedras agudas e serpentes. Para tais missões, não basta a inteligência. Faz-se mister, primeiramente, para agradar a Deus, humildade, modéstia e desinteresse, visto que Ele abate os orgulhosos, os presunçosos e os ambiciosos. Para lutar contra os homens são indispensáveis coragem, perseverança e inabalável firmeza. Também são de necessidade prudência e tato, a fim de conduzir as coisas de modo conveniente e não lhes comprometerr o êxito com palaveras ou medidas intempestivas. Exige-se por fim, deviotamente, abnegação e disposição a todos os sacrifícios. V~es, assim, que a tua missão está subordinada a condições que dependem de ti.!(!)

JANEIRO DE 1867 - DEZ ANOS DEPOIS...

A 1º DE JANEIRO DE 1867 Kardec escreveu uma nota

“ Escrevo esta nota a 1º de janeiro de 1867, dez anos e meio depois que me foi dada a comunicação acima e atesto que ela se realizou em todos os pontos, pois experimentei todas as vicissitudes que me foram preditas. Andei em luta com o ódio de inimigos encarniçados, com a injúria, a calúnia, a inveja e o ciúme; libelos infames se publicaram contra mim; as minhas melhores instruções foram falseadas; traíram-me aqueles em quem eu mais confiança depositava; pagaram-me com ingratidão aqueles a quem prestei serviços,

A Sociedade de Paris se constituiu foco de contínuas intrigas urdidas contra mim por aqueles mesmos que se declaravam a meu favor e que de boa fisionomia na minha presença, pelas costas me golpeavam. Disseram que os que se me conservavam fiéis estavam a meu soldo e que eu lhes pagava com o dinheiro que ganhava no Espiritismo.

Nunca mais me foi dado saber o que é repouso; mais de uma vez sucumbi ao excesso de trabalho, tive abalada a saúde e comprometida a existência.

Graças, porém, à proteção e assistência dos bons espíritos, que incessantemente me deram manifestas provas de solicitude, tenho a ventura de reconhecer que nunca senti o menor desfalecimento ou desânimo, e que prossegui sempre com o mesmo ardor, no desempenho da minha tarefa, sem me preocupar com a maldade de que era objeto.

Mas, também, a par dessas vicissitudes, que de satisfações experimentei, vendo a obra crescer de maneira tão prodigiosa! Com que compensações deliciosas foram pagas as minhas atribulações! Quê de bênçãos e de provas de real simpatia recebi da parte de muitos aflitos a quem a Doutrina consolou!.

(*) estaremos durante este ano fazendo reportagens específicas sobre o Codificador

(1) Obras Póstumas

O CARNAVAL, ESSE NOSSO VELHO CONHECIDO

A origem da palavra carnaval, segundo os historiadores modernos é um tanto incerta. Algumas fontes citam sua origem do termo carnevalemen, que significa “o prazer da carne”. Outros de carrus navalis, carro com enorme tonel, que distribuía vinho ao povo, em honra ao deus Dionísio (também chamado Baco), na antiga Roma. Ou do latim carne vale, isto é, "adeus carne", correspondendo aos dias de folguedo anteriores à quarta-feira de Cinzas. É um período de certa permissividade associado ao uso de máscaras transformadoras.

Essa festa tem como marco inicial a criação dos cultos agrários, voltados aos Deuses da Fertilidade (Egito, Pérsia, Fenícia, Creta, Babilônia, etc). Saudavam com danças e cânticos a fim de espantar as forças negativas que prejudicavam o plantio.

O carnaval pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dionísio (ou Baco), na Grécia, no século VII a.C. Pisistráto além de incentivar o culto a Dionísio entre os camponeses e lavradores, organizou oficialmente as procissões dionisíadas onde a imagem do deus Dionísio era transportada em embarcações com rodas (carrum navalis) simbolizando que o deus havia chegado a Atenas pelo mar, puxadas por sátiros (semideuses que segundo os pagãos tinham pés e pernas de bode e habitavam as florestas) com homens e mulheres nus, em seu interior. Seguindo o cortejo, uma multidão de mascarados, em meio a um touro, que depois era sacrificado, percorria as ruas de Atenas em frenéticas passeatas de júbilo e alegria. A procissão terminava no templo sagrado, o Lenaion, onde se consumava a hierogamia (o casamento do deus com a Polis inteira em procura da fecundação).

O carnaval pagão termina quando a Igreja adota, oficialmente, o carnaval, no ano de 590 d.C. Ao surgir, o cristianismo já encontrou as festas, ditas orgiásticas, no uso dos povos. Por seus caracteres libertinos e pecaminosos foram a princípio condenados pela Igreja Católica. A Igreja e o Estado Feudal impuseram às cerimônias oficiais um tom sério e sisudo, como uma forma de combater o riso, ritual dos festejos, que em geral descambavam para as permissividades. Entretanto, o povo parecia não observar este tipo de conduta. Indiferente ao oficialismo imposto, respondia com atos e ritos cômicos.

O carnaval cristão chega ao fim no século XVIII, quando um novo modelo, pós-moderno, começa a se delinear a partir das cidades de Nice, Roma e Veneza e que passaram a irradiar para o mundo inteiro o carnaval que ainda hoje identifica a festa, com mascarados fantasiados e desfiles de carros alegóricos e que muitos autores consideram o verdadeiro carnaval.

Após esse pequeno passeio histórico perguntamos ao leitor: será que o sentido do carnaval mudou realmente nesses milênios todos? Afinal, há alguma diferença no que vemos por aí? Se do lado dos encarnados é tudo isso que já conhecemos, o que será do lado espiritual?

Responde-nos Manoel Philomeno de Miranda em seu livro, muito bem intitulado Nas Fronteiras da Loucura, onde estão expostos os acontecimentos desses dias de folia e do qual reproduzimos o início do primeiro capítulo - Resposta à oração, repleto de revelações importantes para nossa reflexão.

“(...) As bátegas sucediam-se em abençoado, desconhecido socorro, espancando e espalhando as densas nuvens psíquicas de baixo teor vibratório que encobriam a cidade imensa e generosa.

Nos intervalos, o ruído atordoante dos instrumentos de percussão incitava ao culto bárbaro do prazer alucinante, misturando-se aos trovões galopantes enquanto os corpos pintados, semi-despidos, estorcegavam em desespero e frenesi, acompanhando o cortejo das grandes escolas de samba, no brilho ilusório dos refletores, que se apagariam pelo amanhecer.

Como acontecera nos anos anteriores, aquela segunda-feira de carnaval convidava ao desaguar de todas as loucuras no delta das paixões da avenida em festa.

Milhares de pessoas imprevidentes, estimuladas pela música frenética, pretendendo extravasar as ansiedades represadas, cediam ao império dos desejos, nas torrentes da lubricidade que as enlouquecia.

A delinqüência abraçava o vício, urdindo as agressões, em cujas malhas se enredavam as vítimas espontâneas, que se deixavam espoliar.

As mentes, em torpe comércio de interesses subalternos, haviam produzido uma psicosfera pestilenta, na qual se nutriam vibriões psíquicos, formas-pensamento de mistura com entidades perversas, viciadas e dependentes, em espetáculo pandemônico, deprimente.

As duas populações — a física e a espiritual, em perfeita sintonia — misturavam-se, sustentando-se, disputando mais largas concessões em simbiose psíquica.

Não obstante, como sempre ocorre em situações desta natureza, equipes operosas de trabalhadores espirituais em serviços de emergência, revezavam-se, infatigáveis, procurando diminuir o índice de desvarios, de suicídios a breve e a largo prazo pelas conexões que então se estabeleciam, para defender os incautos, menos maliciosos, enfim, socorrer a grande mole em desequilíbrio ou pronta para sofrer-lhe o impacto.

Desde as vésperas haviam sido instalados diversos postos de socorro, no nosso plano de ação, para serem recolhidos desencarnados que se acumpliciavam na patuscada irresponsável ou aqueles que vieram para auxiliar os seus afetos desatentos ao bem e a vigilância, ao mesmo tempo minimizando a soma e infortúnios que poderiam advir.

O abnegado Bezerra de Menezes, à frente de expressiva equipe de médicos e enfermeiros, de técnicos em socorros especiais, tomava providências, distribuía informações e cuidava, pessoalmente, dos casos mais graves, nos quais aplicava os recursos da sua sabedoria.

As horas avançavam num recrudescer de atividades, fazendo recordar um campo de guerra, em que os litigantes mais se compraziam em ferir, malsinar, destruir. Frente de batalha, sem dúvida, em que se convertia a cidade, naqueles dias, cujo ônus lhe pesava, cada ano, em forma de maior incidência na agressividade, na violência, nos desajustes socioeconômicos lamentáveis.

Outrossim, o nosso centro de comunicações registrava apelos e notícias de várias ordens, donde emanavam as diretrizes para o atendimento dos casos passíveis de ajuda imediata. Os outros ficavam selecionados para ulteriores providências, quando diminuíssem os fatores desagregantes do equilíbrio geral.

Pessoas sinceramente afervoradas ao bem enviavam pedidos de ajuda, intercediam por familiares a um passo de tombarem nos aliciamentos extravagantes e fatais.

Os seletores de preces facultavam ligações com os Núcleos Superiores da Vida, ao mesmo tempo intercambiando forças de auxílio aos orantes contritos, enquanto aparelhagens específicas acolhiam pensamentos e forças psíquicas que se transformavam em agentes energéticos que irradiavam correntes diluentes das condensações deletérias. (...)”

Como bem podemos perceber pelo que nos é descrito neste início do primeiro capítulo, já adivinhamos as situações deprimentes e dolorosas por que passam todos aqueles nossos irmãos sintonizados com esta festa mundana, que nada fica a dever aos antigos espetáculos de Roma e da antigüidade pagã. Milhares de anos são passados e a criatura humana ainda não conseguiu se desvencilhar da sombra da animalidade e da ignorância. No capítulo 6 Manoel Philomeno nos adverte que “há estudiosos do comportamento e da psique, sinceramente convencidos da necessidade de descarregarem-se as tensões e recalques nesses dias em que “a carne nada vale”, cuja primeira sílaba de cada palavra compôs o verbete carnaval.” Estudiosos, estes, que com seu conhecimento poderiam apontar rumos melhores para a evolução humana, ainda concordam entre si que é lícito um dia de loucura ao ano, como a justificar a sua ainda inferioridade espiritual. Até quando escorregaremos no lamaçal da inferioridade em detrimento da nossa elevação espiritual? Muitos alegarão que todos nós temos necessidade de descontração e lazer de tempos e tempos. E têm toda razão, mas que essa descontração e esse lazer sejam compatíveis com nossas aspirações de conquista moral. Paulo de Tarso, sabiamente nos chama a atenção, para que examinemos tudo, mas que só retenhamos o que seja bom. Aproveitemos esse feriado sim, mas para o repouso mental, a leitura dignificante, o estreitamento de nossos laços de família e de amizade e vibremos intensamente por aqueles que, emaranhados no turbilhão da fuga de si mesmos, ainda não despertaram para as verdades espirituais.

E finalizando, perguntamos ainda mais uma vez ao leitor: ainda tem vontade de participar dessa folia?

Rogério de Oliveira

“Se o lapidário aprimora a pedra, usando a lima resistente, o Senhor do universo aperfeiçoa o caráter dos filhos transviados de Sua casa, usando corações endurecidos, temporariamente, afastados de Sua obra.”

Instrutor Gúbio, do livro Libertação, psicografado por Francisco C. Xavier. Autor espiritual: André Luiz

MOCIDADE

Mocidade é força.

Mas, se a força não estiver sob a direção da justiça, pode converter-se em caminho para a loucura.

Mocidade é poder.

Entretanto, se o poder não aceita a orientação do bem, depressa se converte em tirania do mal.

Mocidade é liberdade.

Todavia, se a liberdade foge à disciplina é, invariavelmente, a descida para deplorável situação.

Mocidade é chama.

No entanto, se a chama não sofre o controle do proveito justo, em breve tempo se transformará em incêndio devastador.

Mocidade é carinho.

Mas, se o carinho não possui consciência de responsabilidade, pode ser veneno mortal para o coração.

Mocidade é beleza da forma.

Contudo, se a beleza da forma não se enriquece com o aprimoramento interior, não passa de máscara perecível.

Mocidade é amor.

Entretanto, se o amor não se equilibra na sublimação da alma, cedo se transforma em paixão infeliz.

Mocidade é primavera de sonhos.

Todavia, se a primavera de sonhos não se enobrece no trabalho digno, todo o nosso idealismo será simplesmente um campo de flores mortas.

Se fé encontras na hora radiante da juventude, não te esqueças de que o tempo é o nosso julgador implacável.

A plantação de agora será colheita depois.

Nossas esperanças dia a dia se materializam nas obras a que nos destinamos. A Lei será sempre a Lei.

Povoam-se e despovoam-se berços e túmulos, para que o Espírito, divino caminheiro, através da mocidade e da velhice do corpo terrestre, desenvolva, em si, as asas que transportarão ao cimo da vida eterna.

Assim, pois, se realmente procuras a felicidade incorruptível, confia teu coração e tua mente ao Cristo Renovador, a fim de que, jovem hoje, te faças, amanhã, o caráter sem jaça que lhe refletirá no mundo a Divina vontade.

Emmanuel

(psicografia Francisco Cândido Xavier, 13.11.1953, em Pedro Leopoldo, na comemoração do 4º aniversário do Departamento de Juventude da FEB)

O PODER DO PERDÃO

Você se lembra da última vez em que sentiu raiva? Ou que sentiu magoa ou rancor? Como você ficou?!! Com o corpo dolorido? Dor no peito?! Dor de cabeça?! Enfim, qualquer dor!

Já pensou se você tivesse agido diferente?! Tivesse por exemplo...PERDOADO!!! Sim perdoar cura tudo isso!! E mais, liberta o coração dos ressentimentos! E ressentimentos chegam até a causar doenças como o câncer!!

Por que então não libertar sua alma desse peso!? É tão simples: PERDOE!!

Nesse momento você deve estar pensando:”Só se for fácil pra você!! Porque em mim dói!!” . E sabe por que dói?!! Porque você é incompetente!! Forte essa palavra, não é!!?Mas eu vou explicar o por quê.

Certa vez um professor disse-me:”A violência é o último recurso dos incompetentes!!”. A partir daí percebi que em todos os momentos da minha vida, onde eu agi de maneira hostil, amarga ou rancorosa, eu estava apenas exercitando a minha INCOMPETÊNCIA, em amar ao meu próximo e a mim mesmo!!

Vamos a um simples exemplo, você está se sentindo sozinho, seus amigos e familiares não têm falado com freqüência com você, até sente a falta deles, mas sequer lhes telefona, eis que um abnegado lhe liga e como você age!!? -__“Se tivesse me acontecido algo de ruim você nem ficaria sabendo!!”, ou,

__ “Você deve estar precisando de alguma coisa, pois nunca me liga!!...

Perdoe!! Perdoe você, afinal só colhe quem semeia, quando se sentir sozinho ligue paras pessoas que ama!! Perdoe quem demorou pra ligar, talvez ele estivesse sentindo a sua falta!!

Deixe –se levar pelo poder do perdão!! Seja COMPETENTE!! AME e PERDOE!!

E se estiver se sentindo sozinho ou magoado, venha participar com a Mocidade do Paz e Amor!! Estaremos te aguardando de braços abertos e com muito amor!!

Até a próxima!

Rodrigo Malagrino (coordenador da Mocidade do Paz e Amor)

Você quer ser feliz por um instante? Vingue-se! Você quer ser feliz para sempre? Perdoe.- Tertuliano

140 anos de “O EVANGELHO SEGUNDO ESPIRITISMO”

Sob qualquer aspecto considerado, o Evangelho é o mais belo poema de esperanças e consolações de que se tem notícia” Joanna de Angelis, (prefácio do livro Jesus e o Evangelho à luz da psicologia profunda, Editora Leal)

Quando Kardec iniciou seu trabalho buscou compilar alguns trechos do novo testamento e surgiu então O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Se os ensinos de há 2000 anos são atuais, imagine quando falamos desta obra de 140 anos...

Conforme Joanna de Angelis, no livro acima citado, reportando-se ao Evangelho Segundo o Espiritismo afirma “...a doutrina espírita que atualiza o Evangelho, graças aos postulados apresentados pelos Espíritos Iluminados ao eminente Codificador, que muito bem soube fixá-los na Obra incomparável de que se fez responsável.”

O Evangelho é o livro espírita mais vendido, é um verdadeiro oásis de onde a criatura vem saciar sua sede de paz, de confiança e sabedoria. É Jesus voltando aos dias atuais e conversando conosco, aliviando-nos.... “Vinde a mim todos vos que sofreis e que estais sobrecarregados e eu vos aliviarei...(...)Aqueles que carregam seus fardos e que assistem seus irmãos são meus bens amados...; Sou o grande médico das almas, e venho vos trazer o remédio que deve cura-las(...) ; Venho, como antigamente entre os filhos transviados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas... (cap VI)

Emmanuel, no livro “Vinha de Luz, mensagem “Pais” é enfático quando afirma: “ Urge reconhecer, aliás, que o Evangelho não fala aos embriões da espiritualidade, mas às inteligências e corações que já se mostram suscetíveis de receber-lhe o concurso”.

Além de todos os benefícios deste estudo, um se reveste de aspecto especial :

O EVANGELHO NO LAR.

Instituído há mais de 50 anos, é um benefício que vem auxiliando muito a família, sendo um ponto de auxílio também às equipes do Bem, que buscam nestes horários ajudar não só a família, que o desenvolve como também “emergências-espirituais”, onde estas equipem vêm colher energias benfazejas e canalizar também para estas situações.

Se você ainda não tem este hábito, passamos a seguir um roteiro para que você e sua família comece a se beneficiar :

O QUE É O EVANGELHO NO LAR?

Trata-se da oração e estudo de “O Evangelho Segundo o Espiritismo” em reunião familiar. O culto evangélico realizado no ambiente doméstico, é precioso empreendimento que traz diversos benefícios:

Após a escolha do dia e hora da semana, horário em que seja possível a presença de todos os elementos da família, ou da maior parte dela, observar com rigor a constância e a pontualidade.

A leitura do "0 Evangelho Segundo o Espiritismo" pode ser realizada através de dois processos:

1º sistema: Estudo em Sequência - o estudo metódico do Evangelho, permitirá que os participantes venham a ter conhecimento gradual e ordenado dos ensinamentos que o livro encerra. Uma vez estudado todo o livro, poder-se-á seguir o segundo sistema.

2º Sistema: Abertura ao acaso: Procedendo assim, teremos lições diversas, de cujo entendimento, dependerá da maneira dinâmica coletiva de ser realizado o estudo.

Os comentários devem ser breves e envolver apenas o trecho lido, principalmente se tiver crianças participando, atentando para a compreensão ao seu nível..

Atenção:Alguns detalhes devem ser observados: No "0 Evangelho no Lar" devemos evitar manifestações mediúnicas, que só devem ter lugar nos Centros Espíritas.

IMPORTANTE: Não suspender a prática de "0 Evangelho no Lar" em virtude de visitas inesperadas, em virtude de solicitações sem urgência, recado inoportuno carreando preocupações, passeios adiáveis. festividades de qualquer, .ordem, etc.

Encerramento com Vibrações aos lares e Prece:

As vibrações para o próprio lar, familiares e lares da terra como um todo e finalmente a prece de agradecimento pelos momentos de reencontro espiritual, não só dos encarnados como dos mentores; agradecimentos pela paz e pelas lições, pela proteção do Lar. pela saúde e harmonia.

ESQUEMA DO "O EVANGELHO NO LAR'

  1. Abertura com a oração,
  2. Leitura de "O Evangelho Segundo o Espiritismo” e comentários: Encerramento com vibrações para todos os lares e prece de encerramento.

ASSISTÊNCIA SOCIAL

ENTREGA DAS CESTAS DE NATAL – OS NÚMEROS IMPRESSIONAM...

A Família Nucleana está de parabéns, pois com a ajuda de cada um pudemos atender não só as famílias assistidas pela Casa como também casas co-irmãs, que sempre aguardam a “multiplicação dos pães”...Assim, a equipe chefiada pela Sra Ivone pode, no último dia 13 de dezembro entregar 800 sacolas de mantimentos, onde cada uma pesava em média 25 quilos, com mantimentos, ou seja, 20 toneladas. Importante que se diga que esta doação irá atender as famílias no período de janeiro e fevereiro, época em que as assistidas não contam com a entrega deste material. As atividades de encerramento do ano contou com o trabalho público do Evangelho, comandado pela nossa querida Da. Carmem. Após, com uma equipe extra de trabalhadores foi possível colaboraram para que as mais de 300 famílias fossem assistidas, e ainda, além das 300 cadastradas foram feitas 100 sacolas extras... Os números impressionam.... Mas não ficou por aí, A Casa de Apoio e Passagem recebeu 600 quilos, o asilo Casa Pedra do Caminho recebeu quase uma tonelada de alimentos, a Casa do Caminho de Mairiporã, da nossa companheira Angelina, recebeu mais 800 quilos, o Centro comandado pelo Sr. João Cortese, na cidade de Ártemis, foi beneficado com 300 quilos, A Casa Caminho da Luz de Vila Talarico recebeu mais 600 quilos, o lar que assiste deficientes mentais “Ninho da Paz” recebeu mais de 50 quilos, e finalmente, A Casa do Caminho, em Ibiúna, do casal amigo Rezende e Darci, recebeu mais 1.500 quilos e assim o Paz e Amor pode cumprir sua tarefa, que é estender a ajuda, como tão bem sempre nos informam os amigos espirituais.

A causa é do Cristo e é esta união, que se coloca em prática os ensinos Dele, com isso, esperamos ter homenageado o aniversariante de dezembro...

Na caridade eu sempre encontrei mais conforto para mim mesmo do que o possível conforto que pudesse ter proporcionado a alguém. O Espiritismo sem a caridade viva e atuante, por parte dos companheiros de ideal, seria um corpo filosófico de bela expressão, no entanto destituído de vitalidade e completamente vazio de espírito...” (Chico Xavier, pg.142 do livro O Evangelho de Chico Xavier,Carlos Baccelli, editora Didier)

“O ódio que julgas ser a antítese do amor, não é senão o próprio amor que adoeceu.”

Francisco C. Xavier

ORIENTAÇÃO SEGURA

Você considera importante a preparação da infância através da atividade de evangelização? Por que?

Divaldo P. Franco(*) : É de alta importância a tarefa da educação espírita das gerações novas. Colocamos aqui a palavra educação espírita, numa abrangência maior do que a da evangelização, porque a evangelização pura e simples pode parecer uma questão já colocada por determinadas doutrinas religiosas do passado. Mas a educação espírita, trazendo a evangelização infanto-juvenil à luz do Espiritismo, é tarefa de emergência, mais que de urgência, porque a violência e a agressividade que hoje estão nas nossas ruas são fruto da falta da educação da massa, de educação espiritual de profundidade. Diz-se muito que tudo isto é o resultado, em linhas gerais, dos problemas sócio-econômicos. Os estudiosos especializados têm chegado a muitas conclusões. Lamentavelmente, ainda não lemos, fora da área espírita, um sociólogo, um pedagogo, que tenha chegado á conclusão de que tudo isto resulta de fatores morais, que são os geradores do egoísmo e, por conseqüência, dos problemas sócio-econômicos. A base é, portanto, o problema moral.

A educação espírita das gerações novas vai criar uma mentalidade sadia, porque ensinará à criança, desde cedo, que o berço não é o início da vida: é o começo do corpo; e o túmulo não é o fim da vida: é a porta de saída do corpo. Falando-lhe de reencarnação, situando no seu devido lugar a tarefa preponderante do Cristianismo, a obra da educação das gerações novas preparará o novo mundo.

(extraído do livro Diálogo com dirigentes e trabalhadores espíritas, USE, 1a. Ed., pgs. 67 e 68) (*) Divaldo é professor, conferencista e médium, espírita, mundialmente conhecido)

O TRABALHADOR DA CASA ESPÍRITA

O dirigente espírita

A tarefa de dirigir, na conceituação semântica, significa direcionar, conduzir, “dar rumo” para algo ou para alguma atividade. Os centros espíritas comumente utilizam pessoas para essa finalidade: são os chamados “dirigentes”. Cabe aqui a ressalva de que o dirigente somente pode trabalhar em uma das duas áreas: administrativa ou nos trabalhos espirituais como cursos, palestras, tratamentos de passes e outros. Esse foi o conselho deixado por médiuns atuantes e de comprovada experiência ao longo da história espírita. Justificam essa postura esclarecendo que os encargos administrativos desviam o foco e atrapalham sensivelmente o contato com o plano espiritual, interferindo de forma negativa nas atividades e percepção mediúnicas. Ora, o que o dirigente de trabalho espiritual mais necessita é estar muito bem sintonizado com os mentores espirituais da casa, bem como com suas faculdades sensoriais em plena eficiência. O exercício simultâneo das duas tarefas se torna então incompatível. Atentemos para as palavras de Chico Xavier:

“O médium que trabalha na produção de obras mediúnicas ou em tarefas de contato com as massas, não deve se envolver em compromissos administrativos no grupo a que pertence, sob pena de não proporcionar aos espíritos o espaço mental e a serenidade de que eles necessitam para trabalhar. Sempre que me aproximei de questões administrativas do centro espírita, por vezes tão desgastantes, perdi em mediunidade: levava um tempo para me recompor psiquicamente e reatar a sintonia com os nossos benfeitores.”

Do livro “Orações de Chico Xavier”, Carlos A . Baccelli , LEEP, 2003

Independentemente da sua área de atuação, deve o dirigente espírita pautar suas palavras, atitudes e ações de acordo com algumas diretrizes básicas, dentre elas:

  1. Não fazer ao próximo ou não se dirigir ao próximo da mesma maneira como não desejaria para si mesmo.
  2. Certificar-se de que está atuando com atitudes cristãs. Jesus é nosso modelo e guia.
  3. Certificar-se de que seus procedimentos estão de acordo com as diretrizes da Codificação Espírita.
  4. Seguir os estatutos do centro espírita e os princípios da Constituição de seu país, como todo homem de bem (cap. XVII de O Evangelho Segundo o Espiritismo).

Para auxiliar nossos leitores que se encontram atuando nesta função, bem como a todos nós em nossas decisões do cotidiano, sugerimos uma receita eficiente: diante de alguma dificuldade, antes de tomar qualquer atitude, pergunte-se: O que faria Chico Xavier nesta situação?

Votos de Paz e Amor em Jesus.

Fernando de Oliveira

A PARÁBOLA DO BOM SAMARITANO E A INDIFERENÇA HUMANA

“Um homem, que descia de Jerusalém para Jericó, caiu nas mãos de ladrões que o despojaram, cobriram-no de feridas e se foram, deixando-o semimorto. Aconteceu, em seguida, que um sacerdote descia pelo mesmo caminho e tendo-o percebido passou do outro lado. Um levita, que veio também para o mesmo lugar, tendo-o considerado, passou ainda do outro lado. Mas um samaritano que viajava, chegou ao lugar onde estava esse homem, e tendo-o visto, foi tocado de compaixão por ele. Aproximou-se, pois, dele, derramou óleo e vinho em suas feridas e as enfaixou; tendo-o colocado sobre seu cavalo, conduziu-o a uma hospedaria e cuidou dele...”

Parábola do Bom Samaritano, Capítulo XV, item 2 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Atualmente não sabemos o que nos choca mais: se o assassinato de pais pelos filhos ou se o do filho por um pai desesperado. Ficamos petrificados ao ouvir um grupo de rapazes de bom nível social declarar que só atearam fogo no índio pataxó, pois julgavam ser um mendigo.

Assistimos com imensa dor milhares de jovens e adultos se reduzirem a trapos humanos em virtude das drogas. Causa-nos compaixão verificar que tantos outros se transformaram em cabides e vitrines para as grifes da moda e em ouvidos e olhos, que mais parecem esponjas a absorver tudo o que vêem pela frente.

E nós, iludidos, achamos que permanecemos imunes a todo esse apelo que implica em milhares de imposições que nos são enfiadas goela abaixo no nosso cotidiano veloz e conturbado. Ledo engano!!!

Compramos um modelo de vida ideal, um sonho que poderia ser alcançado por todos, sem dores nem preços a pagar. Um casamento ideal, um emprego fantástico, filhos doces e submissos a nossos sonhos, casa, carro, saúde perene, uma alegria permanente, uma festa eterna... E assim fomos nos afastando da realidade, da vida simples, das nossas emoções, dos nossos limites humanos e principalmente da nossa proposta para a encarnação atual.

Enfrentamos um conflito permanente entre o que é viver de verdade, encarar nossos desafios conforme programado para nossa etapa reencarnatória e a “vida de sonhos” que o sistema econômico que nos abriga propõe e impõe. Talvez seja esse nosso maior desafio nesta jornada: nos mantermos íntegros e fiéis aos nossos propósitos de evolução, vencendo essa batalha, já que iludidos, buscamos o que a vida não nos pode dar.

Somos levados, em conseqüência desse conflito entre o real e o sonho, a tomarmos uma posição cada vez mais individualista, buscando alcançar nossos objetivos a qualquer preço e tendo isso como nosso único foco. Voltamo-nos apenas para nossos próprios problemas, nossas depressões, ódios, revoltas e insatisfações. Somos eternos famintos em busca da perfeita felicidade que nunca é alcançada, pois a procuramos sabe lá Deus em que lugar e, muitas vezes no caminho onde certamente ela não está. E nessa permanente e irreconhecida infelicidade, passamos a agir com indiferença diante de nossos semelhantes. Infelizmente, essa é uma tendência cada vez maior, chegando aos disparates extremos que povoam as páginas policiais.

Quanto menor a consciência, maior é o risco dessa indiferença caminhar para o alheamento, que faz com que o ser humano não reconheça o outro como um semelhante, desqualificando-o e não o respeitando na sua integridade física, psíquica, moral e até mesmo espiritual. O outro passa a ser apenas um fornecedor ou portador de objetos, valores ou desejos. Nada mais vale além disso. E esta é a real origem da violência que nos espanta, amedronta e paralisa. Se o pai é um empecilho, elimina-se. Se aparece o impulso para dar vazão à violência, incendeia-se o mendigo.

Hoje, num mau momento, podemos passar por cima de um irmão que está deitado em nosso caminho e ainda reclamar perguntando porque não se deitou em outro lugar. Todos os que nos retardam os propósitos de viver rapidamente são tratados como transtornos, adversários. Desde as atitudes menos lesivas até as mais perversas, estamos todos sendo atingidos por esse mal. A violência divulgada nos meios de comunicação nos choca, mas logo é esquecida.

Recordando-nos da parábola do Bom Samaritano, nos questionamos: se hoje Jesus fosse perguntado sobre quem poderia ser o nosso próximo, talvez dissesse que é aquele “estranho” com quem “trombamos” todos os dias, pois possui a chave da mesma casa, ou talvez nosso “adversário” de trabalho com quem medimos força e poder ou o chefe que grita, ou ainda o garoto pobre do cruzamento da avenida, os praticantes de outras crenças muitas vezes intolerantes, o companheiro da mesma fé que nos desagrada. São tantos... São todos. E nós, permanecemos alheios à sua existência como irmãos, compostos das mesmas células e por espíritos semelhantes, que como nós sofrem contingências, dores e dificuldades.

Nesse campo a impiedade impera, já que no alheamento, as pessoas não conseguem enxergar sua violência, muitas vezes disfarçada sob a capa do medo ou de desculpas escapistas. Apenas nos posicionamos diante dessa impiedade no momento em que, nos tornamos o próximo irreconhecido pela agressividade daqueles que nos vêem como meros suportes dos seus objetos de desejo, sejam eles um tênis, um Rolex, um cargo ou qualquer outra coisa. É nesse momento que clamamos por um samaritano que ainda tenha a capacidade de sentir compaixão, que nos dispense um mínimo de atenção e nos limpe as feridas, estas, hoje abertas em nossas consciências doridas.

Nestes tempos em que a materialidade e o narcisismo dita as regras de vida, nossa miséria espiritual e psíquica precisa ser sanada. Que não seja às custas de uma dor maior do que a que já sentimos por estarmos apartados da nossa essência espiritual e não termos ainda aprendido a viver como nos exortou o Espírito Protetor no capítulo VII, item 10 de O Evangelho Segundo o Espiritismo.

Temos o livre arbítrio que nos possibilita colocarmo-nos no papel do agredido ou no do samaritano, que nos fará reencontrar nossa humanidade perdida. Os dois caminhos, sem dúvida, são eficazes para o redespertar: a dor sentida na pele ou o bálsamo que estanca feridas. A escolha, como sempre, será nossa. Se voltarmos os nossos olhos para os que se encontram vivenciando a dor e colocarmos nosso coração e o trabalho de nossas mãos a serviço da caridade, que poderá nos irmanar, certamente voltaremos a enxergar o próximo como um reflexo de nós mesmos.

Lilian Approbato de Oliveira

MEDIUNIDADE

O Médium, este desconhecido!

Quando começamos a freqüentar a Casa espírita, nos encantamos com as palestras ouvidas, que tanto vêm ao encontro dos nossos anseios de paz e renovação interior. De imediato, nos identificamos com determinado médium expositor e o elegemos nosso mentor encarnado, o modelo a ser seguido.

Ato contínuo criamos um fã clube (afinal ele é o máximo), com direito a carteirinha assinada e se possível com direito a pagar meia entrada no cinema.

De posse do seu roteiro de palestras, seja em que Casa espírita ele irá falar, organizamos rapidamente uma caravana de acompanhamento (se possível com faixas na lateral do carro) e não medimos sacrifícios no afã de não perdermos uma única de suas exposições. E desse modo vamos levando a nossa vivência espírita, encantados com as palavras ouvidas.

Mas um belo dia (reparem que em toda história sempre tem um “mas”), por invigilância do médium que nos é tão caro, este comete algum deslize impensado por nós, e o vemos tratar as pessoas rudemente, agindo sem educação, destratando aqueles a quem deveria consolar. Nesse momento ficamos pasmos, com o orgulho ferido. Após o choque vem a desilusão, a revolta contra o médium e a Doutrina. Afinal como ele pode agir desse modo, igual a qualquer um de nós?

Tal fato ocorre mais freqüentemente do que imaginamos e por nossa própria causa. Criamos um ídolo dourado, porém com os pés de barro e amparados por nosso quase desconhecimento doutrinário (Como faz falta um estudo sistemático das obras básicas!), nos esquecemos de que os médiuns são pessoas exatamente iguais a nós, com suas virtudes e seus defeitos (e põe defeito nisso!). Quantos possuem em seus lares uma esposa incompreensiva cobrando-lhe maior atenção à família, um esposo dominador a lhe dizer constantemente que o lugar da mulher é em casa, sem dizer dos filhos problemáticos a exigirem atenção constante.

Mas o médium também tem a sua luta pela sobrevivência, afinal ele não recebe pelo seu trabalho no centro espírita e nem pode moralmente pensar nisso. Tem de batalhar mesmo como todo mundo, correr atrás do emprego, aturar chefe incompreensivo como todos nós, pensar nas suas despesas: é a conta de água, luz, telefone, a compra do mês, a prestação atrasada, o aluguel, o remédio (médium também fica doente sim!), etc. Médium também almoça e janta, toma seu café e por incrível que possa parecer, muitos apreciam um bom churrasco mal passado, mas heresia das heresias é que todos vão ao banheiro diariamente fazerem suas necessidades fisiológicas como qualquer um.

O médium não tem guarda-costas espiritual, encarregado de afastar seus problemas cotidianos, ele tem seu livre arbítrio e sua sintonia mental. E por que seria diferente dos outros? Kardec nos coloca que todos nós, sem exceção, somos médiuns em maior ou menor grau.

Quando ouvirmos aquele médium, que em sua palestra nos toca tão profundamente em nossos sentimentos e anseios, lembremo-nos que ele é alguém igual a nós, que se dedica e vivencia a Doutrina um pouco mais do que nós somente. Por isso não o idolatremos, mas o respeitemos por sua dedicação e empenho e, se alguma vez, observarmos algum deslize de sua parte, sejamos nós um dos primeiros a socorrê-lo com o nosso amor, com as nossas orações e vibrações por um companheiro que está tentando, como nós a acertar o caminho da verdade. Atentemos que mais cedo ou mais tarde todos nós daremos o nosso testemunho dentro da mediunidade.

Rogério de Oliveira

CONVERSANDO COM UM “FUNDADOR”

Na noite de 05 de dezembro de 2003, tivemos mais uma reunião de congraçamento e energização dos médiuns e trabalhadores da casa. Tendo como pano de fundo as vozes dos companheiros Claudete Corpo e Gerson, acompanhados pelo maestro Luiz Bonan, recebemos a visita do sr. João Cortese, um dos fundadores do “Paz e Amor”.

No número 04 do Nosso Núcleo, contamos um pouco da história desta casa, mas vale a pena relembrar que ela foi fundada em 27 de janeiro de 1963. Os primeiros trabalhos foram realizados na garagem da residência do sr. João, pertinho da nossa sede atual.

Durante o evento, pudemos ouvir significativa preleção a respeito da mediunidade, onde foi dada ênfase à necessidade da sua vinculação à vivência evangélica, direcionada sempre por Kardec. Destacamos o relato de inesquecíveis “casos” vividos pelo sr. João, durante convívio estreito com o dr. Manoel Rezende, Divaldo Franco e Chico Xavier. Com isso pudemos nos transportar para a época do início do “Paz e Amor”, ouvindo fatos marcantes para comprovação da fé, experimentados pelos corajosos amigos que ousaram enfrentar muitas barreiras para implantar mais firmemente a Doutrina Espírita no Brasil. Isso nos serviu de exemplo e incentivo a seguir seus exemplos de confiança, perseverança e amor.

Já no encerramento, contamos com a prece proferida pela nossa querida dna. Emília Rofrano que, profundamente envolvida, deixou a todos emocionados e muito mais do que reabastecidos.

Lilian e Fernando de Oliveira

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